Floresta Viva

Campanha de financiamento coletivo para promover a restauração ecológica lançada pelo BNDES em novembro de 2021. O programa almejava, no seu lançamento, restaurar até 35 mil hectares em diferentes biomas, inclusive em terras indígenas, quilombolas ou comunidades tradicionais.

Trata-se de um modelo de finanças híbridas para fomento da bioeconomia, onde cada real investido pelo setor privado, o banco investirá o mesmo tanto. Sua gestora, desde abril de 2026, é a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável. 

A primeira fase do Floresta Viva já mobilizou quase R$ 470 milhões em recursos públicos e privados, do BNDES e de parceiros, com previsão de chegar a 115 projetos contratados, abrangendo cerca de 15 mil hectares restaurados em todos os biomas, exceto o Pampa.

Até o momento,  53 projetos foram selecionados e já estão em andamento de modo a promover a restauração de 8.649 hectares em 56 unidades de conservação e 13 terras indígenas, em 128 municípios distribuídos por 17 Estados e no Distrito Federal.

BNDES, abril de 2026

Na sua segunda fase, anunciada em agosto de 2025, o BNDES destinará R$ 100 milhões ao Floresta Viva, com a expectativa de chegar a R$ 250 milhões com o apoio de parceiros. A primeira fase já havia mobilizado R$ 460 milhões para restauração de 8.500 hectares.

“São recursos não reembolsáveis, mas o crédito de carbono gerado pode voltar para a empresa, para ser negociado e aposentado. As empresas podem ter até lucro.”

Gustavo Montezano, presidente do BNDES, na Agência Estado/Correio Braziliense, novembro de 2021

Até o momento, foram lançados 15 editais do Floresta Viva, que somam R$ 331,1 milhões de apoio a projetos de restauração em diversos biomas e ecossistemas de todas as regiões brasileiras, totalizando 9,0 mil hectares a serem restaurados pelo conjunto dos projetos selecionados dentre os editais já concluídos.

Funbio, junho de 2026

Editais

  • Manguezais: recuperação de mangues e restingas em toda a costa brasileira. Ele selecionou oito projetos e prevê a recuperação de 1.757 hectares. Parte dos recursos provêm da Petrobras (2022);
  • Pernambuco: Governo de Pernambuco e Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) receberam recursos para investimento em projetos de restauração e ecológica e produtiva no estado (2023). Outro edital, Águas do Beberibe, prevê um investimento de R$ 10 milhões por parte do Grupo Heineken na restauração em áreas de 35 municípios do Aquífero Beberibe. Foram selecionados projetos do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN), da Organização Sertaneja dos Amigos da Natureza (SOS Sertão) e da Cooperativa de Trabalho Especializado em Serviços para Agricultura Familiar (Ecooterra) (2026);
  • Corredores no Cerrado e no Pantanal: O edital Corredores de Biodiversidade, num total de R$ 58 milhões, e que selecionou 12 projetos visando restaurar 2.700 hectares ao longo de quatro anos e fortalecer a restauração e as cadeias produtivas associadas em corredores de biodiversidade do Cerrado e do Pantanal, nos estados da Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Dentre as entidades selecionadas estão a Associação Cerrado de Pé, a Rede de Sementes do Cerrado, a Associação dos Produtores Agroecológicos do Alto São Bartolomeu (Aprospera) e Cooperativa dos Agricultores Familiares e Agroextrativistas do Vale do Peruaçu (Cooperuaçu). Parte dos recursos provêm da Petrobras (2024);
  • Mata Atlântica na Bahia e norte do Espírito Santo: O edital Conectando Paisagens visa a restauração com espécies nativas na Mata Atlântica e uso sustentável do solo, com implantação de sistemas agroflorestais e fortalecimento de cadeias locais da restauração no Corredor Central da Mata Atlântica.
  • Bacia do Xingu: edital selecionou quatro projetos para restauração de 700 hectares. Além disso também serão realizadas a mobilização e o fortalecimento de grupos de coletores de sementes, estruturação de viveiros, criação de uma agroindústria para beneficiamento de cacau e fomento à pesquisa científica. O matchfunding é proveniente da geradora Energisa (2024). Um segundo edital para projetos de restauração, capacitação e fortalecimento das cadeias produtivas na bacia do Xingu (2025).
  • Sudeste do Paraná: edital no valor de R$ 8,8 milhões para restauração, fortalecimento da cadeia produtiva e formação de corredores ecológicos de Mata Atlântica (2024);
  • Estado do Rio de Janeiro: Aportes a projetos do governo do Estado do Rio de Janeiro: primeiro para o programa Florestas do Amanhã (2022), depois para o edital Florestas do Rio, de R$ 60 milhões, em parceria com o Funbio e a Aegea Saneamento, para cerca de 30 projetos de restauração (2024) e o edital Florestas do Rio 2 (2026), com meta de plantio de 1,5 milhão de mudas até 2027 em 36 municípios;
  • Caatinga no Ceará: liberação de R$ 10 milhões, com recursos da Heineken, para a restauração de 340 hectares na Serra da Aratanha e no Parque Estadual das Águas, manancial de Fortaleza (2025);
  • Bacia do Taquari/ MS: Caminhos das Nascentes (2025);
  • Sul da Bahia: O edital Conectando Paisagens (2) contempla as cidades de Conceição da Barra, Jaguaré, Linhares, São Mateus, Pedro Canário e Sooretama, no norte do Espírito Santo, e nove municípios do Sul da Bahia (2025);
  • Terras Indígenas: edital seleciona projetos em 61 terras indígenas no Tocantins, Maranhão e Mato Grosso (2025);
  • Pantanal: edital para fortalecimento dos recursos hídricos na Bacia do Alto Paraguai, no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, com recurso do Instituto Aegea (2025);
  • Bacia do Paranaíba/ MG, GO e DF: edital de R$ 20 milhões com recursos da Axia Energia para recuperação de áreas degradadas, recomposição de matas ciliares, melhoria da qualidade da água e fortalecimento de cadeias produtivas ligadas à restauração florestal (2025);
  • Bacia do Parnaíba/ PI: edital de R$ 78 milhões com recursos da Axia Energia e da Porto Piauí, na região da Usina Hidrelétrica de Boa Esperança (2026);
  • Sergipe: parceria do BNDES com o governo do Estado, que prevê a destinação de até R$ 50 milhões por parte do banco e igual valor para Sergipe, para fomentar projetos de restauração com espécies nativas e sistemas agroflorestais na Caatinga e na Mata Atlântica, priorizando territórios estratégicos para a recuperação ambiental e produtiva, a conservação dos ecossistemas e o fortalecimento da economia local (2026);
  • Prefeitura do Rio de Janeiro: Convênio prevê aporte de R$ 10 milhões, com foco na Serra da Posse, em Campo Grande (2026);
  • Águas do São Francisco: O edital destina R$ 20 milhões para ações de restauração e revitalização dos recursos hídricos nas áreas de influência das usinas hidrelétricas de Sobradinho e Itaparica, entre a Bahia e Pernambuco (2026).

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