Restaura Amazônia

Iniciativa originalmente lançada em 2022 pelo Painel Científico para a Amazônia, formado por mais de 200 cientistas dos oito países amazônicos e que planeja recuperar um quarto das áreas de floresta desmatadas ao longo do Arco do Desmatamento num prazo de 30 anos. É o programa de restauração ecológica mais ambicioso já proposto para a região e deverá impactar 50 municípios.

A iniciativa Restaura Amazônia é voltada para o financiamento não reembolsável de atividades de restauração ecológica com espécies nativas e/ou sistemas agroflorestais (SAFs). No total, estão previstos investimentos de aproximadamente R$ 200 bilhões nas próximas décadas. Na primeira fase do Arco da Restauração na Amazônia, os recursos do Fundo Clima irão se somar a outras fontes de apoio para investimentos de até R$ 51 bilhões.

Secretaria de Comunicação Social do Governo Federal, maio de 2024

No final de 2023 a iniciativa ganhou apoio oficial do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas e do BNDES, que entrou como financiador e buscará outros parceiros que deem apoio financeiro.

Em março de 2026 o Restaura Amazônia havia alcançado 17 Unidades de Conservação, 77 assentamentos, 35 Terras Indígenas por meio do apoio a 58 projetos de restauração ecológica e produtiva no chamado Arco do Desmatamento, onde serão recuperados quase 15 mil hectares pela iniciativa.

O Restaura Amazônia tem, como referência, outros projetos de grande escala em andamento no Platô de Loess, na China, o programa Restoring American Forests, nos Estados Unidos, e a Grande Muralha Verde, nos limites do deserto do Saara.

Editais

Em novembro de 2024 foi lançado um primeiro edital, no valor de R$ 100 milhões, provenientes do Fundo Amazônia, para seleção de projetos restaurativos.

Três entidades serão selecionadas para coordenar iniciativas de restauração ecológica realizadas por agricultores familiares, comunidades indígenas e quilombolas e assentamentos da reforma agrária. […] Os R$ 550 milhões restantes serão destinados via Fundo Clima na forma de crédito para apoiar iniciativas privadas, tanto em imóveis particulares quanto em áreas públicas, via concessões federais e estaduais que devem ser lançadas no começo de 2024.

Capital Reset, dezembro de 2023

As entidades que tocarão o projeto com os recursos do Fundo Amazônia, selecionadas via edital, são o Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam), que vai atuar nos estados do Acre, Amazonas e Rondônia; a Fundação Brasileiro Para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), que atuará no Tocantins e em Mato Grosso; e Conservação Internacional (CI/Brasil), que trabalhará no Pará e no Maranhão.

Em março de 2025 foi lançado edital de R$ 150 milhões do Fundo Amazônia para seleção de projetos de restauração ecológica e produtiva em assentamentos. Seu resultado foi divulgado em outubro, e inclui 80 assentamentos do Tocantins e Mato Grosso. A ação vai permitir a recuperação de 4.600 hectares, beneficiando cerca de 6 mil famílias.

Em abril de 2025 foi lançado um segundo edital, no mesmo valor, para restauração em terras indígenas no Arco da Restauração, do leste do Maranhão ao Acre. Segundo o BNDES, trata-se do maior projeto de restauração já realizado em terras indígenas no Brasil. As 19 iniciativas selecionadas vão promover o plantio de 5,7 milhões de árvores para restaurar mais de 3,3 mil hectares em 26 territórios indígenas, com investimento de R$ 123,6 milhões. As áreas ficam nos estados de Rondônia, Amazonas, Acre, Mato Grosso, Tocantins, Pará e Maranhão.

O quarto ciclo de editais selecionou em março de 2026 11 projetos de restauração ecológica e fortalecimento da cadeia produtiva da restauração num total de R$ 69,5 milhões, a serem investidos na recuperação de 2.877 hectares em unidades de conservação consideradas prioritárias nos estados do Acre, Rondônia, Tocantins, Mato Grosso, Pará e Maranhão.

Foram escolhidas iniciativas apresentadas por organizações da sociedade civil, institutos de pesquisa e cooperativas, entre elas: SOS Amazônia, Itaipu Parquetec, Coopfish, Cooperxapuri, Associação Humana Povo para Povo Brasil, Instituto Perene, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Fundação Rio Verde, Wildlife Conservation Society Brasil (WCS), Instituto Socioambiental (ISA) e Instituto Ibramar.

Governo Federal, março de 2026

Os projetos selecionados atuarão em áreas estratégicas da Amazônia Legal, incluindo a Reserva Extrativista Chico Mendes (AC), o Parque Nacional Campos Amazônicos e as Florestas Nacionais do Jamari e do Jacundá (RO), a APA Ilha do Bananal/Cantão (TO), a APA Cabeceiras do Rio Cuiabá e a Estação Ecológica do Rio Roosevelt (MT), além da Reserva Biológica do Gurupi, da Reserva Extrativista do Ciriaco e da Terra Indígena Awá (MA), bem como da Reserva Extrativista do Rio Iriri (PA).

Fundo Clima

No início de 2024 o BNDES emprestou R$ 80 milhões do Fundo Clima para a start up re.green, para executar restauração no âmbito do programa.

Petrobras

A empresa anunciou apoio ao programa em novembro de 2024. O aporte de R$ 100 milhões ao longo de 5 anos, conjuntamente com o BNDES, inclui R$ 50 milhões do Fundo Amazônia. Ele visa promover a restauração de cerca de 15 mil hectares.

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